Colégio do Barão de Nova Sintra: colocamos o coração em todos os nossos lugares - Notícias - Santa Casa da Misericórdia do Porto

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Colégio do Barão de Nova Sintra: colocamos o coração em todos os nossos lugares
⌚ 30.04.2024
Do antes ao agora

Este mês propomos uma visita a mais um dos nossos lugares mais emblemáticos.   

Recordamos como este espaço era no passado e revelamos como o podemos encontrar nos dias de hoje.    

O que mudou?    

Esta rubrica permite-lhe (re)descobrir a nossa história através do nosso património.    

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Colocamos o coração em todos os nossos lugares!  


ENTÃO... SERÁ QUE CONHECE A HISTÓRIA DO COLÉGIO DO BARÃO DE NOVA SINTRA?  

Comece por ver o vídeo que preparamos "Do antes ao agora" deste nosso espaço único... 



"DE ESTABELECIMENTO HUMANITÁRIO DO BARÃO DE NOVA SINTRA A COLÉGIO DO BARÃO DE NOVA SINTRAJosé Joaquim Leite Guimarães nasceu a 21 de julho de 1808, na freguesia de S. João Batista de Pencelo, próximo à cidade de Guimarães. Veio muito jovem para o Porto e, em 1825, partiu rumo ao Brasil, onde granjeou avultada fortuna.

Em 1851, decidiu regressar para Portugal. Viveu cerca de cinco anos, em Lisboa, na sua "Quinta de Nova Sintra" que comprara em 1852. A denominação da referida quinta está na génese do título honorífico de "Barão de Nova Sintra" (Nova Cintra, de acordo com grafia da época), que lhe foi atribuído, por Decreto, em 1862.

José Joaquim Leite Guimarães, em 1859, fixou residência na cidade do Porto. Imbuído por sentimentos de benemerência e pretendendo extinguir a mendicidade das ruas da cidade Invicta, em 1863, mandou criar dois novos Estabelecimentos, que formavam uma secção provisória e autónoma do Asilo de Mendicidade desta cidade, administrados e custeados por si, para com o auxílio dos poderes públicos se poderem recolher, em um deles, os falsos mendigos e rapazes vadios, dando-lhes ensino de forma a torná-los cidadãos úteis, com a designação de Estabelecimento de Artes e Ofícios do Barão da Nova Cintra; no outro, sob a designação de Recolhimento Humanitário do Barão da Nova Cintra, para acolher as raparigas que vagueavam pelas ruas, as crianças cujas mães esmolavam pelas ruas e por isso tinham que ser recolhidas e ainda as que as mães, para se poderem dedicar ao trabalho, tinham que as entregar para serem cuidadas durante o dia. Em 19 de outubro de 1866 ocorreu a inauguração das instalações definitivas, na actual Rua do Barão de Nova Sintra, com a denominação de Estabelecimento Humanitário do Barão de Nova Sintra. Nesta estrutura filantrópica, para além de acautelar o alojamento e alimentação destes jovens, também a educação não era deixada ao acaso, promovendo assim a aprendizagem de ofícios que contribuíssem para que, no futuro, pudessem ingressar no mundo do trabalho. 

No tempo do seu fundador, o edifício tinha 500 palmos de frente, composto de quatro corpos, cujas faces exteriores voltavam para a rua, e as interiores para um largo extenso, o corpo central da fachada principal era encimado, e assim se mantém, pelo busto de D. Pedro V.

O Barão de Nova Sintra através de disposição testamentária dotou o Estabelecimento Humanitário com o remanescente da sua herança e, não só este edifício e seus pertences, como também a fábrica de fiação da seda foram legados à Santa Casa da Misericórdia do Porto. O auto de posse ocorreu em 1 de junho de 1871, ano seguinte ao da sua morte.

Este estabelecimento, para além do financiamento da Santa Casa da Misericórdia do Porto, contava com legados e ofertas de benfeitores.

Em 1874, o Estabelecimento Humanitário do Barão de Nova Sintra albergava 87 crianças. E, em 1879, acolhia 56, das quais 31 eram do sexo masculino, que registava um número superior de candidatos, e 25 do sexo feminino. Faltavam quatro para atingir sessenta asilados, conforme determinado pela Mesa em sessão de 3 de agosto de 1876.

Registou-se um aumento do número de asilados e o edifício acabou por ser dividido em três secções: uma para rapazes, outra para raparigas e a terceira, que era a mais concorrida, para artes e ofícios. Nas oficinas, as atividades centravam-se na sapataria, na alfaiataria e na marcenaria, para além de algumas noções de horticultura. No pátio interior, destinado ao recreio, e no refeitório, foram feitas divisões de forma a permitir separar as crianças por sexos.

Em finais do século XIX, a Instituição era ocupada essencialmente por jovens necessitados, dos quais trinta eram rapazes e vinte eram raparigas, na qualidade de pensionistas contavam-se doze rapazes e cinco meninas.

Em 1909, seguia-se o programa oficial, no que dizia respeito ao ensino primário. Contudo, o ensino profissional restringia-se, apenas, às oficinas de sapataria e de alfaiataria na secção dos rapazes.

A partir de 1961-1962, esta Instituição passou a acolher unicamente rapazes e o limite de idade de permanência, anteriormente fixado nos 14 anos, foi alargado para os 17-18 anos. Defendia-se estarem, assim, reunidas as condições que permitiriam todos os alunos saírem com a formação técnico profissional completa. Uma franja dos jovens deste Estabelecimento frequentava o ensino liceal ou escolas técnicas oficiais. Havia, também, os que optavam por formação e trabalho numa oficina em laboração normal.

A Mesa da Santa Casa da Misericórdia do Porto, em conformidade com a circular normativa nº. 5/71 de 6 de dezembro de 1971, deliberou em sessão de 11 de janeiro de 1972 que o Estabelecimento Humanitário do Barão de Nova Sintra passasse a denominar-se Colégio do Barão de Nova Sintra.

Em 2011, neste Estabelecimento deu-se início ao funcionamento do apartamento de pré-autonomização, para cinco jovens, com acompanhamento de equipas educativa e técnica para ajudar na sua autonomização.

Uma nova resposta social, destinada a estudantes com reduzidas possibilidades financeiras, surgiu com a criação das Residências Barão de Nova Sintra, em 2018. A residência com capacidade para acolher 34 estudantes, contava com vários quartos, amplas áreas comuns, como sala polivalente, cozinha e pátio exterior.

A Santa Casa da Misericórdia do Porto, a 31 de julho de 2023, decidiu proceder ao encerramento da sua Casa de Acolhimento Residencial (CAR), para dar início a uma nova tipologia de resposta, não residencial, destinada a crianças e jovens em risco, o Acolhimento Familiar. Após o término do ano letivo, os jovens que ainda permaneceram na CAR foram encaminhados para o contexto de origem ou para outras estruturas da cidade, tendo por objetivo manter os conhecimentos e dinâmicas até então adquiridos.


Fonte: Arquivo Histórico da Misericórdia do Porto 


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